sexta-feira, 26 de novembro de 2010

FILIAÇÃO E NASCIMENTO

Bem, como já adiantei no início, nasci no finalzinho da década de 80, numa quinta feira, às 9 horas e alguns minutos,no UMMS. 
Meu pai se chama Antônio José, popularmente conhecido como Tota do mel ( no desenrolar da história você saberá porquê); minha mãe se chama Lusvanira. 
É isso mesmo que você leu : Lusvanira. 
Estranho não é? Ela não tem apelido. 
O nome dela foi escolhido pelo meu avô e era o nome de uma índia que era esposa do avô dele, no caso, bisavó da minha mãe. Agora, não foi só por isso que ele colocou esse nome horrível não. O colou porque, para ele, esse nome era muito lindo.

Eu era o segundo filho do casal e, depois de mim, veio o Eudinho, mas faleceu aos 3 anos. Minha mãe conta que não sentiu dor em me dar a luz. A bolsa estourou antes do tempo, aos 08 meses. Como estava pertinho do nascimento, tudo já estava pronto para quando eu chegasse. Só não haviam escolhido o nome ainda. Eu nasci doente. Tinha uma bolha de ar na minha cabeça. Isto me ameaçava a vida. Desesperada, minha avó recorreu à fé que tinha em esculturas, à N. Senhora de Fátima. Fez-lhe a promessa de que, se eu ficasse boa, me colocaria o nome de Fátima. O que veio bem a calhar, pois, painho gostava do nome Maria e já o tinha até sugerido. Só não o Fátima. Acontece que melhorei, mas quem pagou a promessa foi eu, rum! 
Já ouvi um piadista dizer que o povo faz promessa para  os outros pagarem. Falando nisso, lembrei-me  do meu amado escritor Charles, que pagou uma por muitos anos e ele falou a mesma coisa que eu agora, acho até que foi no livro dele que li essa frase dos outros terem de pagar a promessa dos devedores.

Minha cura resultou em vovó colocar o nome da santa (?) em mim, logo me apresento a você meu querido(a) como Maria de Fátima, mas pode chamar de Fátima como todos me chamam, apesar de eu gostar de Maria, o que é outra coisa muito comum nas cidades pequenas: lhe chamarem pelo nome que você menos gosta. 
É danado um negócio desse, viu!

Quando nasci ninguém tirou foto (buááááááá) e, segundo o que falam, eu era muito fofinha, de olhinho amarelo claro, puxado igual japonesa e cabelo preto. Muito cabelo, sengundo mainha, mas acho que o povo mentiu ao dizer que eu era lindinha porque um bebê cabeludo e ainda por cima de olho puxado é feio demais rapaz. 
Meu irmão mais velho já tinha um ano e oito meses quando nasci. Este ainda não tinha noção do terrorzinho que havia entrado na "casa dele"(rsrs). Minha pele era alva como leite. Mainha dizia que todo mundo queria pegar em mim e me colocavam olhado, por isso vivia m comigo na casa dos rezadores para tirar o mau-olhado que as pessoas invejosas me lançavam. 
Aliás, esse é um costume muito antigo e ainda existente na pequena cidade das pedras soltas. Eu vivia com o braço cheio de “figuinha” para espantar os olhões, mas não tinha jeito. A inveja era grande demais(kkk).

Uma das coisas interessantes na vida de todo ser humano é quando pronunciam as primeiras palavras. Fui atrás de ouvir histórias do tempo em que ainda estava aprendendo para dar muita risada ouvindo-as. 
Assim, perguntei pra minha mãe qual foi a primeira palavra que falei e ela disse que foi mamá (traduzindo: mamar) e não mamãe como a palavra sugere. Têm outras que ela ainda se recorda e as falou para mim, rindo. Até frases ela se recorda.

Com 1 ano e alguns meses, mãe falou que meu irmão  e eu ganhamos um conjuntinho de papinha. O meu era rosa, e do meu irmão, azul, muito mais bonito e tinha uns desenhos e, resolveu estrear o conjunto. Mas não deu certo. Ela nos colocou na mesa e pôs os pratos e a canequinha-irmã ao lado de cada um de nós, e foi fazer aviãozinho para eu comer porque eu me sujava toda se comesse só. Foi quando vi o conjunto do meu irmão, lindo todo azul. Chateada pelo dele ser mais, gracioso, rejeitei o meu e disse:

__Num qué essa pile. (kkkkkkkkk)

Traduzindo: não quero essa colher. Pois é, pile era colher, mamá era mamar, bilacha era bolacha e por aí vai... Essas recordações não são minhas,são de mãe, mas é muito bom saber que ela ainda se recorda.

Esses foram bons tempos. Os tempos da inocência e total dependência dos seres superiores : pai e mãe.

Quem diria que essa história de bonança infantil ao lado da minha mãe estava por desfazer-se para...sempre...

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